O que é a Fosfatidilcolina e quais são os benefícios para saúde dos animais

A Fosfatidilcolina (FC) é um fosfolipídeo e nutriente derivado da colina. Além de um papel estrutural de membrana celular, a Fosfatidilcolina participa de importantes vias metabólicas, hepáticas, imunes e neurológicas. Neste artigo abordaremos a relevância nutricional dessa substância, bem como os benefícios para a saúde dos animais. Discutiremos em detalhes os aspectos estruturais e metabólicos e as implicações de sua função na saúde animal.

O que é a Fosfatidilcolina?

A Fosfatidilcolina (FC) é um fosfolipídeo. Os fosfolipídeos são uma classe de moléculas presentes na membrana celular dos mamíferos, atuando principalmente na estrutura delas. Por muito tempo, acreditou-se que essa classe de substâncias atuava principalmente como os “tijolos da membrana”, e serviam para dar formato e proteção as células. Os fosfolipídios da colina são também os principais componentes das lipoproteínas plasmáticas e bile. Seu metabolismo é fundamental para o transporte lipídico e formação de acetilcolina. Veja abaixo a estrutura de um fosfolipídeo.

fosfatidilcolina
Figura 1 – A estrutura dos fosfolipídeos como a FC tem uma parte polar (hidrofílica) e outra apolar (hidrofóbica) e essas interações são as responsáveis por manter a forma e estrutura de células e organelas.

A Fosfatidilcolina é essencial para a metabolização das gorduras, o desenvolvimento neurológico e o sistema imune. A produção e ingestão adequada de Fosfatidilcolina é crucial para a saúde de cães e gatos, o que destaca a importância de uma dieta que forneça as condições necessárias para a síntese ideal dessa molécula.

De onde vem a Fosfatidilcolina?

A fosfatidilcolina é produzida nas células dos mamíferos a partir da colina, através da via CDP-colina. Ela pode também ser ingerida pronta, diretamente dos alimentos. A maior fonte de fosfatidilcolina é o ovo, que contém a colina também. Leguminosas como feijões, grão de bico e soja são boas fontes também. Mas, existem muitos outros alimentos, de origem vegetal e animal que contém essa substância.

Os animais obtêm colina principalmente a partir da dieta. O principal destino da colina é a síntese de fosfatidilcolina. Portanto, é imprescindível que a dieta dos animais possa suprir o organismo de condições para sintetizar a FC em quantidades ideais. Isso pode ser atingido tanto pela adição desta substância pronta às rações, como pela utilização do cloreto de colina – precursora do neurotransmissor acetilcolina e dos fosfolipídios estruturais, como a fosfatidilcolina.

O papel metabólico da Fosfatidilcolina nos animais (FC)

Duas funções metabólicas destacam-se dentre os papéis da fosfatidilcolina: a geração de colesteróis carreadores de lipídios e a produção de bile. A FC é um metabólito que participa da solubilização dos ácidos biliares e é reconhecido que os fosfolipídios da colina são importantes para a digestão lipídica no intestino delgado pela ação combinada da fosfolipase pancreática e enzimas da mucosa.

Como vimos na Figura 1, a Fosfatidilcolia é um composto com uma parte lipídica e um grupo fosfato, ou seja, uma parte apolar (composta por duas cadeias de ácidos graxos) e outra polar (formada a partir da união de um grupamento colina e um fosfato). Essa característica química é essencial para a composição das lipoproteínas carreadoras que transportam lipídios através do organismo, auxiliando na produção de hormônios e ácidos biliares. A FC atua na produção de VLDL (Very Low Density Lipoprotein – ou lipoproteína de muito baixa densidade), um colesterol responsável por carrear lipídios do fígado para a circulação. Essa função protege o fígado de uma possível sobrecarga gordurosa, tendo um papel importante na prevenção da síndrome chamada lipidose hepática.

Além da função de transportar lipídios, a Fosfatidilcolina é um componente importante na formação da bile, líquido produzido pelo fígado que atua como emulsificante de gorduras advindas da dieta. A correta digestão dessas gorduras implica no melhor aproveitamento energético pelo organismo do animal e evita problemas intestinais, como diarreias.

Pesquisas também mostram que a Fosfatidilcolina pode estar envolvida em outros processos metabólicos relacionados ao controle dos níveis de glicose no sangue, incluindo a regulação da expressão de genes ligados ao controle do metabolismo dos lipídios.

Funções hepáticas e protetoras do trato gastrointestinal

Existem dados na literatura da ação protetora da fosfatidilcolina no trato gastrointestinal, ajudando a mitigar os efeitos dos processos inflamatórios gerados a partir do contato com substâncias ácidas.

Em um estudo que submeteu cães à uma exposição da mucosa gástrica à bile concentrada, Eros et al. (2006) encontraram evidências da ação protetora da fosfatidilcolina. Os animais que receberam um tratamento prévio com essa molécula apresentaram menores indicadores da severidade do processo inflamatório, como uma menor taxa de degranulação de mastócitos e menor atividade de enzimas ligadas à inflamação.

Esses resultados são corroborados pelos achados de Barrios et. al (2000) que observaram que a administração da FC foi capaz de reverter os efeitos inflamatórios da bile em intestino de ratos. Tanto em estudos in vivo com in vitro, um tratamento prévio com a FC promoveu uma menor taxa de hemólise de enterócitos e sangramentos. Os autores postulam que estes resultados apoiam a hipótese de que a Fosfatidilcolina protege a mucosa intestinal contra as ações prejudiciais da presença da bile, possivelmente através da formação de micelas mistas menos tóxicas.

Funções neurológicas

A nutrição adequada é essencial para o desenvolvimento do sistema nervoso do filhote, bem como para manutenção da função cognitiva durante o envelhecimento, e a má nutrição é um dos fatores de risco para o desenvolvimento de disfunções. Diferente dos agentes farmacológicos atuais, as abordagens nutricionais têm o potencial de afetar positivamente os processos neurodegenerativos antes da manifestação da clínica. As evidências de que um nutriente isolado exerça um benefício sobre a cognição são bem limitadas, porém sabe-se que alguns nutrientes têm papel fundamental na manutenção da saúde neuronal, e a suplementação deles (em conjunto com outros nutrientes) pode contribuir para uma redução dos mediadores que levam aos danos nas células cerebrais.

O processo de diferenciação neuronal é caracterizado por neuritogênese e crescimento de neuritos (partes do neurônio: tanto dendritos como axônios), processos que são criticamente dependentes da biossíntese de membranas e, portanto, da expressão e regulação de enzimas envolvidas na biossíntese de fosfolipídios. Um estudo recente (2021) mostrou que a FC tem uma propriedade de modulação da plasticidade neuronal.

Paoletti et al (2011) estudaram o papel da fosfatidilcolina nesse processo e relataram que ela e seus metabólitos podem agir como fatores da diferenciação neuronal, além de auxiliar na restauração após condições patológicas. Os autores estudaram as vias metabólicas de síntese da FC nos neurônios, e relatam que problemas nas etapas enzimáticas neste processo de síntese estão associadas a diferentes patologias e processos de degeneração neuronal e perda cognitiva. Esses dados sustentam a hipótese de que esse fosfolipídio também exerce impacto no desenvolvimento cognitivos dos animais e na prevenção da perda de função em animais mais idosos.

Funções no sistema imunológico

Outro papel importante da fosfatidilcolina é na modulação do sistema imune. Em um experimento conduzido por Lewis et al. (2015) notou-se que ratas em lactação suplementadas com fosfatidilcolina apresentaram filhotes com os índices de Interferon γ maiores que as fêmeas suplementadas somente com colina. Essa classe de interferon está ligada principalmente na capacidade imunomoduladora do organismo, e em atividades antiparasitárias e antivirais.

De uma forma geral, os filhotes das fêmeas que receberam a FC tiveram uma produção maior de uma série de substâncias imunomoduladoras (54% mais interleucina (IL)-2; 163% mais IL-6; 107% mais IFN- γ; 110% mais IL-6 e 43% mais fator de necrose tumoral (TNF). Todas essas diferenças foram estatisticamente significantes (todos P < 0,05). Outra conclusão interessante deste estudo é que existe vantagem na utilização da FC sobre a Colina em sua forma mais tradicionalmente utilizada na alimentação animal.

Benefícios Multifuncionais da Fosfatidilcolina

A fosfatidilcolina, derivada do nutriente colina, é um fosfolipídio “multifuncional” para os mamíferos, atuando em vários mecanismos fisiológicos essenciais para o bom funcionamento do organismo. Seu papel vai muito além do estrutural.

Entre as funções dessa substância, estão a participação na produção de colesteróis e da bile, garantindo assim um bom funcionamento de todo o metabolismo energético. Como vimos nessa revisão, pesquisas também sugerem que a FC está envolvida no metabolismo, participando da regulação da expressão de genes ligados ao controle dos níveis séricos de glicose.

Outro papel interessante é o de proteção de mucosas, com pesquisas demonstrado o seu efeito anti-inflamatório, descrito em trabalhos que estudaram a FC em animais com lesões causadas pelo refluxo biliar.

Por seu íntimo papel na formação das membranas dos neurônios, vimos também que a FC é benéfica para o sistema nervoso, especialmente em animais em desenvolvimento, idosos ou em recuperação de condições patológicas.

E por último, mas não menos importante, destacamos o papel da FC como estimulante da imunidade, exercendo uma modulação positiva do sistema imune, com aumento da população de células ligadas a atividades antiparasitárias e antivirais.

A fosfatidilcolina presente na nutrição de cães e gatos

Além de ser encontrada naturalmente em alimentos como soja e ovos, a fosfatidilcolina pode estar presente em diversos vegetais. A linha de alimentos para cães e gatos Super Premium Zuppy Advance contém um composto herbal 100% natural, rico em FC, derivada da Acacia nilótica e da Curcuma longa, sendo uma complementação natural ao cloreto de colina, ingrediente consagrado nas formulações atuais. Essa fonte natural utilizada garante a presença de fitoativos, como compostos antioxidantes e polifenóis, o que confere uma série de funções protetivas e de melhora na saúde, que serão abordados em outros materiais desta série.

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